13/05/2015

Vida em República de Estudantes


 
Por KEREN B. G. RODRÍGUEZ

Moro em uma república chamada Moreninha do Rio. Esse nome foi dado por uma ex-moradora, quando fomos ao bandejão da UFF e viu o nome da paçoquinha que nos deram de sobremesa. Ela achou engraçado o nome da paçoquinha e decidiu usá-lo para batizar nossa república, já que todas as moradoras são morenas.

Somos seis mulheres, com idade entre 20 e 28 anos, estudamos na UFF e fazemos cursos diferentes – Cinema, Ciência da Computação, Direito, Processos Gerenciais, Serviço Social e Veterinária e de diferentes lugares – Colômbia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O senso comum e, quiçá, a ciência diriam que seria improvável a boa convivência entre seis mulheres compartilhando 60 m². No entanto, nós renegamos esse pré-conceito e nos esforçamos para que nossa república não seja, simplesmente, um ambiente habitável, mas um lar.

Isso, nossa república é um lar e posso dizer que é uma sétima integrante, já que tem vida própria. A sala nos contagia de alegria; a cozinha de fome; as cadeiras e as mesas de tédio; as camas, os sofás e o chão de sono e o banheiro como é bipolar, de vez em quando, nos irrita um pouquinho. As únicas coisas que Moreninha do Rio não pode fazer sozinha são: ligar a bomba, para encher a caixa d’água e poder se hidratar, e a higiene pessoal, para estar sempre limpa e cheirosa. Por isso, as outras seis moradoras tentamos colaborar e nos revezamos para auxiliá-la com essas funções.

Além dessas características, Moreninha do Rio apresenta outro aspecto super legal: ela é extremamente comunicativa e divertida. Todas as noites, quando chegamos à república, depois de um dia exaustivo, nos sentamos na sala e conversamos sobres diversos assuntos. Falamos da nossa vida e da vida alheia, da universidade, da política, da ciência, da religião, da filosofia, enfim, de tudo referente à vida sociocultural que nos circunda.

Apesar das diferenças de opinião, com certeza, o interesse pela a psique humana e pelas relações sociais, o gosto pela cultura gastronômica, a solidariedade, a compaixão, a preguiça em dias muito quente ou muito frios e a TPM são pontos em comum entre as moradoras de Moreninha do Rio.

A experiência de morar em uma república tem sido muito enriquecedora para todas nós. Ela tem contribuído no processo de autoconhecimento e de percepção da interação entre o “ser individual” e o “ser coletivo”. Portanto, a nossa convivência tem nos comprovado que os limites entre o “meu” e o “nosso” podem ser estabelecidos, possibilitando a coexistência e interação entre seis mulheres que, embora sejam diferentes, apresentam algumas semelhanças, configurando um paradoxo humano.

 

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